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FRANCISCO MORAIS SANTOS

sáb. 12 de Setembro 17h30
Igreja de Ferragudo (Entrada gratuita)

Natural da Covilhã, Francisco é um dos guitarristas portugueses mais relevantes da sua geração. Durante a sua formação estudou em Portugal com Pedro Rufino e Dejan Ivanovic. Mais tarde estuda na Áustria com Paolo Pegoraro, durante o mestrado, e por último em Espanha numa pós-graduação orientada por Pablo Márquez, Lorenzo Micheli e Judicael Perroy. Por todas as instituições onde passou, concluiu sempre os seus estudos com notas máximas e recebeu várias distinções de mérito por excelência. É um dos guitarristas portugueses mais premiados de sempre, contando com dezenas de prémios em concursos nacionais e internacionais. Actuou a solo em algumas das salas mais importantes em Portugal, assim como um pouco por toda a Europa e Japão. Paralelamente à sua actividade performativa, leciona na Escola Profissional de Artes da Covilhã (EPABI) e no Conservatório Regional de Música da Covilhã.


PROGRAMA:

Joaquín Rodrigo (1901 – 1999)
– Tiento Antiguo
– Invocación y danza (Homage a Manuel de Falla)
– Sonata Giocosa


William Walton (1902 – 1983)
– Bagatelles for Guitar


Ferragudo: 500 anos a Viver o Mar
O ano de 2020 é marcado pelo quingentésimo aniversário da fundação da povoação de Ferragudo, instituída pela carta de privilégios da Rainha D. Leonor. 500 anos é uma longevidade assinalável, uma efeméride digna de ser comemorada com a pompa e circunstância inerentes à memória centenária do lugar. Sob a égide do 500º aniversário, a Câmara Municipal de Lagoa e a Junta de Freguesia de Ferragudo juntaram esforços e prepararam um conjunto de iniciativas que, ao longo do ano, irão ter lugar sob o mote Ferragudo: 500 anos a Viver o Mar. Neste vasto e rico programa comemorativo pretende-se envolver ativamente o povo de Ferragudo, como comunidade visada que é, mas também a participação de todos os lagoenses. Este programa, que põe em destaque a vila e sede de freguesia e o seu espaço territorial, mais que assinalar o acontecimento dos 500 anos per si, presta-se a deixar uma marca indelével sobre a passagem desta histórica e irrepetível ocasião.  
Neste momento simbólico, no qual se recordam os factos que definem Ferragudo tal como é hoje, importa redescobrir a história de uma localidade que é bem mais antiga que o ato formal da criação a 21 de agosto de 1520 faz transparecer. A ocupação do outeiro onde se veio a desenvolver Ferragudo remonta à Pré-história, pelo menos ao Neolítico, como testemunham as indústrias líticas e cerâmicas das primeiras comunidades humanas sedentarizadas. O seu território foi abrangido pela romanização, altura em se assistiu ao desenvolvimento económico da região algarvia assente na exploração agrícola e na transformação do pescado em conservas salgadas. No caso concreto de Ferragudo, estes latifúndios distribuíam-se nas veigas férteis das margens do rio Arade, no seu curso inferior. E é precisamente o Arade que tem preservado os vestígios de naufrágios que atestam a importância, em quase todas as épocas históricas, da zona oeste do concelho de Lagoa em detrimento da zona este, na qual a presença do curso de água e do seu hinterland foram sempre determinantes.  
Dizer-se que o casco urbano antigo de Ferragudo tem uma matriz medieval, com o seu traçado desordenado de habitações térreas, tem algum fundamento. Porém, sobre este período histórico a investigação pouco tem deslindado. Se não veja-se, no plano arqueológico a ausência de registos não permite confirmar a existência de um lugar habitado de forma permanente até inícios de mil e quinhentos. Pode-se até discutir que tipo de ocupação havia, já que, excluindo as atalaias da Ponta do Altar e Ferragudo ou o habitat do Vale da Areia, são escassos os achados no núcleo primitivo amuralhado que contribuem para a caracterização do lugar.  
Estômbar e a Mexilhoeira da Carregação tiveram, ainda que em tempos distintos, uma manifesta importância na geoestratégia, respetivamente defensiva e comercial, de Silves, termo a que Ferragudo pertenceu até à criação do concelho de Lagoa em 1773. Talvez a presença tão próxima das duas povoações, a montante junto ao rio, seja o fator que remete a afirmação de Ferragudo somente a partir do ordenamento régio. É desta altura, por exemplo, a edificação da igreja matriz, elemento que corrobora esta ideia. Ligada ao mar e à circulação de pessoas e bens no Arade, principal meio de incursão no coração do Barlavento algarvio, Ferragudo vai crescer e afirmar-se a ponto de em duas referências de finais do século XVI, uma de Frei de S. José (1577) e outra de Henrique Sarrão (c. 1600), ser avançada a ideia de um povoado que, embora jovem, já gozada de uma certa expressão.  
Quase ininterruptamente, Ferragudo continuará a assumir uma dicotómica propensão de póvoa piscatória e lugar de controlo da circulação fluvial. Em 1643, logo após a Restauração da Independência, é construído, imediatamente a sul da povoação, o forte de São João Batista, que de alguma forma vem substituir a zona acastelada de outrora, praticamente desaparecida. Não obstante partilhar a função de controlo da foz do rio com Vila Nova de Portimão, na margem oposta, era em Ferragudo que se registavam as embarcações. Cedo perdida essa função, o forte teve outros usos, mas nunca deixou de ser um dos mais emblemáticos elementos patrimoniais do concelho de Lagoa e um marco incontornável da paisagem de Ferragudo e da faixa ribeirinha.  
Desde a sua formação, Ferragudo levou 242 anos até obter autonomia administrativa e daí até à categoria de vila, 237 anos. Fez parte da freguesia de Estômbar até 1749, quando foi desanexada por iniciativa do Arcebispo Bispo do Algarve D. Inácio de Santa Teresa (Memórias Paroquiais, vol. 15, nº 47: fl. 297), num processo conturbado que se arrastou até 1762 e que opôs a vontade de dois povos e duas paróquias. Com a atribuição do alvará régio de 16 de janeiro de 1773, que dotava o notável lugar d’Alagoa do estatuto de vila e concelho e criava uma nova jurisdição, Ferragudo passa a integrar, juntamente com Estômbar e a Mexilhoeira da Carregação, o recém-criado concelho.  
Celebrar este passado como um legado comum é quase que, diríamos, uma obrigação. É, não só dos naturais de Ferragudo e dos que desta terra fizeram o seu lar, mas do município e de todos os munícipes. A ambição de fazer mais e melhor em prol da localidade, das suas pessoas e dos que a visitam deve motivar-nos a trabalhar continuadamente em busca de dinâmicas que preparem a freguesia para os desafios e exigências que a década 2020-2030 trará. Estamos em crer que estas comemorações e este exercício de transportar o presente da Ferragudo de ontem para a Ferragudo de hoje e de amanhã, estamos a promover o conhecimento e a valorização da identidade local e do sentimento que é ser-se de Ferragudo.  
A programação foi trabalhada no sentido de abranger as mais diversas áreas, das artes ao exercício físico, da historiografia à gastronomia, do artesanato às festividades populares. Impõe-se destacar, desde logo, a abertura oficial das comemorações a 21 de agosto com o evento que assinala a data de criação do lugar, ponto alto das comemorações. Mas, há bem mais: percursos pelo património histórico, natural e gastronómico; a celebração de datas marcantes para a história local e nacional; a recriação da Feira Agrária; ou, por ocasião do 21º aniversário da Elevação de Ferragudo a Vila, um colóquio que discutirá o passado e o futuro da localidade. Ainda a assinalar os festejos do meio milénio, serão dados à estampa alguns estudos com a chancela da Câmara Municipal de Lagoa.  
Coincidindo o 500º aniversário com a 41ª edição da Fatacil, Ferragudo vai estar em destaque no certame que é sabido ser um dos maiores do seu género no sul do país e que todos os anos atrai a Lagoa dezenas de milhares de pessoas.

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